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UM OLHAR DA SENZALA SOBRE A OBRA DE GILBERTO FREYRE

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No dia 24-05-2017 sofri uma intervenção do segurança do Super Mercado Pingo Doce na Reboleira suspeitando da minha presença no local, no mesmo dia fui ao debate Racismo e Cidadania dentro da Programação do Lisboa Capital Iberoamericana da Cultura, onde eu e os presentes pudemos constatar o saudosismo, e a noção colonialista que o povo português simplesmente não consegue superar, no sábado vi o anúncio do lançamento de um tal “Café Colonial”, no palácio do Príncipe  Real que do menu a música busca manter pulsante nas veias portuguesas a narrativa do lusotropicalismo e dos “descobrimentos”, dias depois recebemos a visita do cacique Ava Taperende do povo  Guarani-Kaiowá que vem a Europa suplicar a ajuda do seu povo que está morrendo na mão de ruralistas brasileiros, hoje pela manhã acordo com um anúncio da Radio Cidade que ao pretender lançar um jogo nas redes sociais incorre num ato racista e coloca a imagem de uma mão branca apontando um revólver para a cabeça de uma pessoa negra.

ISSA SAMB "JOE OUAKAM", O ARTISTA COMPLETO

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Escrito em 28/04/2017 por Aboubacar Demba CissokhoTradução: Rose Mara Silva


No dia 25 de abril  de 2017 faleceu um ícone das artes, Issa Samb, aos 71 anos de idade. Segue uma homenagem ao artista prestada pelo jornalista Aboubacar Demba Cissokho.



O escultor, poeta, pintor, escritor e performer Issa Samb do Senegal, mais conhecido pelo nome artístico de Joe Ouakam, que faleceu em 25 de abril de 2017, aos 71 anos, tinha a dimensão de um filósofo que, depois de ter dominado questões do seu tempo, foi chamado para viver uma plenitude assumida.
A impressão de conhecê-lo estava presente o tempo inteiro nos espíritos, sua silhueta era familiar e visível nas ruas de Dakar, onde andava regularmente para sentir a respiração e a vida. Mas essa impressão era muito imprecisa, uma vez que  Issa Samb também era  mistério e enigma. Talvez nunca soubemos como identificá-lo. Por quê? Porque ele era ao mesmo tempo: escultor, pintor, poeta, dramaturgo, ator ... Ele tinha várias cordas em seu arco, o que fez…

CONVERSA COM FAUSTIN LINYEKULA, COREÓGRAFO CONGOLÊS, Parte 2- REFLEXÕES SOBRE A DANÇA CONTEMPORÂNEA EM ÁFRICA

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por Rose Mara Silva


Fundador do Studios Kabako em Kisangani, República Democrática do Congo e co fundador da primeira Companhia de Dança Contemporânea da África do Leste, Faustin esteve na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MIT-SP), com temporada de seu espetáculo A Carga (10 a 13 de março) e um workshop voltado para o público das artes cênicas, ambos vivências profundas tanto intelectual quanto artisticamente, entrelaçando questões filosóficas e artísticas da negritude contemporânea.
Em uma conversa livre e tranquila pude conhecer um pouco mais sobre a obra e pensamento de Faustin, e divido com vocês a segunda parte desse rico diálogo.Quem quiser saber o que conversamos na primeira parte, só olhar as postagens anteriores.
Rose: Há muitos artistas e intelectuais que afirmam que a arte contemporânea africana é uma “interferência” da forma de organização artística europeia, há mesmo quem diga que seja uma “imitação” da arte europeia... O que você pensa sobre isso?
Faustin: Houv…

CONVERSA COM FAUSTIN LINYEKULA COREÓGRAFO CONGOLÊS 1 - REFLEXÕES SOBRE A DANÇA CONTEMPORÂNEA EM ÁFRICA

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Por Rose Mara Silva
    Fundador do Studios Kabako em Kisangani, República Democrática do Congo e co fundador da primeira Companhia de Dança Contemporânea da África do Leste, Faustin esteve na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MIT-SP), com temporada de seu espetáculo A Carga (10 a 13 de março) e um workshop voltado para o público das artes cênicas, ambos vivências profundas tanto intelectual quanto artisticamente, entrelaçando questões filosóficas e artísticas da negritude contemporânea.
    Em uma conversa livre e tranquila pude conhecer um pouco mais sobre a obra e pensamento de Faustin, e divido com vocês um pouco dessa rica interação em duas partes.

    … Eu penso que o pequeno workshop ontem, já deu a possibilidade de se ter uma pequena percepção sobre a minha forma de trabalhar.
    Se há algo para dizer num primeiro momento, é eu não sei o que é a dança africana, eu não sei o que é ser africano, e o meu trabalho serve para tentar achar uma resposta. E essa resposta não …

ALGUMAS NOÇÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA DANÇA CÊNICA EM ÁFRICA: PARTE 2

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O balé Merveilles de Guiné – Conversa com Mohamed Ifono Por Rose Mara Silva


No texto anterior contextualizei um pouco sobre o movimento de formação da grandes companhias nacionais de dança cênica africana nos anos 1960 iniciado pelo Les Ballets Africaines na Guiné-Conacri, se você não leu o texto anterior seria interessante dar uma olhadinha nele para poder expandir as possibilidades de interpretações deste texto. A partir da conversa com o Mestre Mohamed Ifono vamos ter um panorama bem interessante sobre a repercussão da estruturação da dança cênica africana nesses grandes balés na Guiné-Conacri. O Mestre Mohamed Ifono, foi secretário geral, ensaiador, assistente de direção no Ballet Les Merveilles de Guiné, um produtor/artista dedicado que chegou a desempenhar mais de 6 funções dentro da organização e treino de bailarinos na companhia durante 29 anos. E a partir de todas essas experiências ele nos lança novos horizontes sobre a história do desenvolvimento das danças cênicas na Guiné…